Em algum momento da vida

Há um momento da vida em que olhamos para trás, e percebemos um mapa quase invisível que permeia todos os acontecimentos por que passamos. Este mapa escondido nos trouxe até aqui.

Neste momento entendemos cada lágrima, cada sorriso, cada encontro que então nos parecia fortuito, cada desafio escruciante que um dia nos encheu de medo, de dúvidas, angústia ou encanto.

Percebemos que não há como tirar as dores passadas, como secar as lágrimas, como desfazer encontros e situações. Cada coisa em nossa vida nos trouxe um precioso ensinamento.

No dia de nosso passado em que pedimos ajuda, um colorido tapete foi nos estendido. Uma trama urdida de esperança, de consolo, de alegrias, de pequenas ou grandes curas, que nos levou em direção a outros encontros de ajuda, até então impensáveis.

E descobrimos que não estamos sós, nem nunca estivemos. O gesto de pedido nos foi atendido, e agora outros nos pedem ajuda, e assim caminhamos.

Fazemos parte de uma grande corrente, que se estende ao infinito. De mãos, de abraços, de corações, de luzes e orações. Somos um grande coro, numa só voz, que se é por hora inaudível, não escapa despercebida em nossos corações.

Caminhamos em direção a nós mesmos. Esta a grande aventura da vida, a grande jornada de volta a nossa Casa.

Mesmo assim tropeçamos, mesmo assim caímos ao chão, hora distraídos ou cansados. Mas neste momento muitas mãos vêm em nosso auxílio, que nos ajudam a levantar e a seguir adiante.

Cada passo é uma escolha, nem sempre fáceis de fazer. Sempre que nos desfazemos de nossas ilusões, e falo das doces e divertidas ilusões da vida, penetramos em um grande vazio em nós mesmos.

Um vazio amorfo, sem alegria ou tristeza, sem coisa alguma a não ser nós mesmos desiludidos do mundo. Este é o momento de pedir ao Alto que desça Suas bênçãos, sua luz, seu amor sobre nós, e que preencha de doce presença nosso borrão existencial.

E quando a Graça nos alcança em fim, descobrimos que há uma alegria infinita dentro de nós. Percebemos que o amor é uma fonte inesgotável, que a gratidão nos acompanha e é a testemunha de nossa fé.

Tudo passa a fazer sentido, e nem ao menos precisamos abandonar o mundo ou o corpo, instrumentos de ensino e aprendizado, mas sabemos que podemos caminhar de forma diferente!

Sim, podemos dar passos cheios de compaixão e perdão, por nós, por este mundo estranho que fizemos, que pede por transformação.

Em passos largos caminhamos, e o Céu se estende adiante, nos convidando, a todos nós, a um novo mundo.

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